domingo, 16 de setembro de 2012

Limite




   



Eu, abrindo espaço para a Elena que existe em mim, confesso, tenho medo!

Medo do tempo, essa unidade limitada, que me limita juntamente com a sua definição.

   Tolos, tenho medo não da palavra, mas do que o próprio tempo causa, do que ele não me permite... O tempo traz consigo limitações, não sei ser limitada, não se pode pedir a um ser humano, há quem foi dado um mundo, um universo a se explorar, que aceite tamanha punição, quase um castigo.

E se ainda fosse apenas uma... 

O tal brinca com o seu próprio, não nos permitindo encontrar-lhe mais de uma vez, não nos permitindo voltar a ele. Digo, o tempo é outro que trai, e trai por pura maldade!
E ainda assim, se já não bastasse, tem a audácia de passar, contudo faz questão de quando passar levar, levar tudo que o ser antes limitado ama, de levar a juventude, as expectativas, as esperanças de um futuro melhor. Traz consigo as desilusões repetidas, o fim das vibrações.

No entanto, não poderia acusar somente o tempo, há quem diga que a culpa é de quem não sabe usar-lhe.

Elena minha cara, a culpa do medo é sua, que não permitiu ao Eu usar o suficiente de sua amplitude, de sua liberdade de ser sem limites o Eu... 

Ou a culpa seria do Eu por não saber usar o que lhe completa?



Tempo, que não me deixar voltar e observar, somente como espectador, de quem é a culpa...?

Arte: Gabriel Ferreira
Texto: Karina Ferreira

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