Medo do tempo, essa unidade limitada, que me limita
juntamente com a sua definição.
Tolos, tenho medo não
da palavra, mas do que o próprio tempo causa, do que ele não me permite... O
tempo traz consigo limitações, não sei ser limitada, não se pode pedir a um ser
humano, há quem foi dado um mundo, um universo a se explorar, que aceite
tamanha punição, quase um castigo.
E se ainda fosse apenas uma...
O tal brinca com o seu próprio, não nos permitindo
encontrar-lhe mais de uma vez, não nos permitindo voltar a ele. Digo, o tempo é
outro que trai, e trai por pura maldade!
E ainda assim, se já não bastasse, tem a audácia de passar,
contudo faz questão de quando passar levar, levar tudo que o ser antes limitado
ama, de levar a juventude, as expectativas, as esperanças de um futuro melhor.
Traz consigo as desilusões repetidas, o fim das vibrações.
No entanto, não poderia acusar somente o tempo, há quem diga
que a culpa é de quem não sabe usar-lhe.
Elena minha cara, a culpa do medo é sua, que não permitiu ao
Eu usar o suficiente de sua amplitude, de sua liberdade de ser sem limites o Eu...
Ou a culpa seria do Eu por não saber usar o que lhe
completa?
Tempo, que não me deixar voltar e observar, somente como
espectador, de quem é a culpa...?
Arte: Gabriel Ferreira
Texto: Karina Ferreira
Arte: Gabriel Ferreira
Texto: Karina Ferreira

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